ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 17/11/2009
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MURO DE BERLIM, 20 ANOS
A História seletiva

Por Alberto Dines em 6/11/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 6/11/2009

Por que razão a mídia, tão parcimoniosa e contida na rememoração dos 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial, agora está tão exuberante ao lembrar os 20 anos da queda do Muro de Berlim?

Pode-se alegar que a reunificação da Alemanha foi um fato mais recente e ainda está presente na memória do público. Também é possível alegar o contrário: se o início da Segunda Guerra aconteceu há sete décadas e está quase esquecido não seria mais correto desencavar o passado remoto?

Uma coisa é inquestionável: as duas efemérides, embora separadas por meio século, fazem parte de um mesmo processo. O Muro de Berlim foi a derradeira trincheira da Segunda Guerra Mundial: a Guerra Fria começou enquanto ainda fumegavam os escombros da capital alemã e continuou por outros meios.

Função didática

A evidente desigualdade da cobertura dos dois episódios está sendo produzida por uma avaliação simplista: como Hitler e Mussolini, definitivamente enterrados, já não representariam ameaças; e o desabamento da Cortina de Ferro deixou soltos alguns fantasmas do totalitarismo de esquerda.

Ledo engano: Mussolini morreu mas o seu fascismo não foi erradicado. Está presente em vários continentes, inclusive na América Latina, mascarado com as mesmas tinturas socialistas que Il Duce utilizou no início da sua escalada política. Hitler já não existe, mas há um neonazismo em outros quadrantes do mundo.

Ao invés de fragmentar os acontecimentos para deles tirar proveitos parciais, a mídia deveria ser fiel à sua função didática e social oferecendo uma visão integrada dos fatos. É preciso não esquecer que a euforia com a débâcle do Império Soviético, logo depois da derrubada do Muro, iniciou uma delirante sucessão de asneiras como a idéia do "fim da História". E a História está aí, repleta de surpresas.

Comentários (8)
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eduardo salina , são paulo-SP - engenheiro
Enviado em 7/11/2009 às 6:31:10 PM
Sr. Caleffi, explique então: como o muro impede a população palestina de subsistir? Que regime de privações o muro provoca? Quem investe militarmente contra quem ? Quem destroi militarmente infra-estrutura,construções administrativas e moradias? Onde há democracia e onde não há? O que é o Hamas, uma organização filantrópica beneficente ou uma organização terrorista? Qual é a diferença entre um muro construido para a própria defesa e um muro construido para evitar a fuga de seus próprios cidadãos, cansandos de um regime tirânico? Não há como defender o relativismo moral da esquerda, a nao ser com esse tioo de cinismo imoral e indecente,
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 7/11/2009 às 1:08:38 PM
Senhor Eduardo Salina: o de Israel é pior. Impedir a população palestina de subsitir,impondo regime de privações e investindo militarmente contra a população civil,destruindo sitematicamente infra estrutura,contruções administrativas e moradias. Pior, porque lembra o "Gueto de Varsóvia".
eduardo salina , são paulo-SP - engenheiro
Enviado em 7/11/2009 às 12:40:48 AM
Dante Caleffi: o muro de Israel é igual ao muro de Berlim? Tem a mesma finalidade? Ele foi construido para tentar evitar a fuga de quem para onde? Quantos israelenses foram mortos por soldados israelenses quando tentavam escapar da tirania israelense? Por que o sr acha que o relativismo moral dos esquerdistas é um salvo conduto para esse tipo de comparações imorais, indecentes e falsas que o sr. teve a coragem de escrever?
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 6/11/2009 às 5:19:59 PM
E ainda bem que o companheiro Getúlio Dornelles Vargas "optou" pelos Aliados, hein!. Sabe-se que o companheiro Franklin Delano Roosevelt deu uma graninha e fez um agradinho ao companheiro Getúlio. Mas, "acho" que o companheiro Franklin Delano Roosevelt lembrou ao companheiro Getúlio que era sobrinho do outro Roosevelt, aquela do tal "porrete"!. Bem que o companheirinho Obama poderia dizer aos israelenses e aos palestinos que se a graninha e o agradinho não resultar em nada ele poderá mostrar o tal "porrete"!. Obrigado companheiro Roosevelt!. Pois, nos livramos de algo bem pior do que vocês, os tais "malvados ianques"!.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 6/11/2009 às 4:50:40 PM
~E mesmo, nunca a mãxima do Duce andou tão em voga: " Tudo no estado, tudo pelo estado, nada contra o estado".
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - arqueólogo
Enviado em 6/11/2009 às 4:38:58 PM
A queda do Muro de Berlim não é apenas o fim da Guerra Fria, é o início do "Fim da História" neoliberal, logo é explicável o seu destaque. É um fato que marca a vitória final do capitalismo contra o socialismo de Estado, embora este continue vivíssimo na China (que, segundo alguns, não é tão comunista assim, só fuzila uns jornalistas aqui, executa uns opositores ali, faz sumir um dissidente acolá, mas que queima carvão e permite multinacionais pagarem salários baixíssimos, que são coisas supermodernas e positivas). A imprensa, por sua vez, não faz história, noticia fatos. Os fatos são que governos e instituições estão fazendo mais barulho com a queda do Muro que com o fim da 2ª Guerra, ou seja, os jornalistas não noticiam o fim do Comunismo há vinte anos e sim as comemorações que se fazem HOJE delas... Jornalistas não são historiadores...
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 6/11/2009 às 3:20:06 PM
Comemorar a queda do "muro enquanto Israel contrói,implanta e amplia o seu bem mais letal do que seu congênere germânico, é admitir o arbítrios de acordo com a coloração ideológica.A repressão aos que transgridem as regras dos guardiões do muro ,ou ousam a cruzá-lo,para sobreviver,faz dos guardas da antiga DDR,parecerem bedéis de escola pública.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 6/11/2009 às 1:48:21 PM
Podemos ouvir Chostakovitch?. Pô, Wagner era "antissemita" e Chostakovitch era "bolchevique". Quem ouve (acidentalmente ou não) Wagner é "antissemita" e quem ouve Chostakovitch (acidentalmente ou não) é "bolchevique"?.
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